FACOM-FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS DE MACEIÓ
RESOLUÇÃO n. 21/07
Tendo em vista o desvio freqüente das atividades dos Conselhos Tutelares de Alagoas, especialmente os de Maceió,onde tem se registrado ocorrências que denotam o uso perverso desta instituição embasada nos Estatutos da Criança e do Adolescente sem que as autoridades municipais responsáveis pela preservação da sua integridade moral tomem qualquer posição em sua defesa;
Considerando que os conselhos tutelares são instituições que merecem ser fortalecidas enquanto espinha-dorçal dos Estatutos da Criança e do Adolescente;
Considerando que os conselhos tutelares não podem nem devem ser usados como cabide eleitoral de quem quer que seja e muito menos como instrumento para ocultação de práticas ou manifestação sexual de quem quer que seja;
Considerando que é papel das entidades sociais assumir uma posição de defesa para a preservação da seriedade e integridade moral dos conselhos tutelares,
VIMOS, RECOMENDAR ÀS INSTITUIÇÕES FILIADAS E VINCULADAS:
1-a realização de pré-seleção de candidatos interessados em participar do processo eleitoral para a renovação dos conselhos tutelares na região metropolitana;
1.2-que as entidades assumam a defesa pública dos candidatos aprovados na pré-seleção;
1.3-que a pré-seleção considere: a) integridade moral dos candidatos;2) experiência comprovada com trabalhos com crianças e adolescentes; c) conhecimento comprovado dos Estatutos da Criança e do Adolescente;
2-recomendação à AALONG para que adote o mesmo procedimento, estendendo essa mesma decisão da Facom às suas organizações filiadas e propagando o máximo possível nossas preocupações em relação à preservação dos Estatutos da Criança e do Adolescente;
3-convocar todas as filiadas para transmitir aos seus sócios a decisão da Facom em relação a esta decisão;
4-que a Executiva da Facom encaminhe cópias desta Resolução à Câmara Municipal de Maceió, ao prefeito municipal de Maceió; aos demais congêneres na região metropolitana; ao fórum estadual da criança e do adolescente e ao conselho estadual da criança e do adolescente da Secretaria Estadual dos Direitos Humanos e à OAB.
_______________________________________________________________________________________
PROGRAMA DE PREVENÇÃO CONTRA A VIOLÊNCIA LETAL DE JOVENS E ADOLESCENTES - Secretaria de direitos Humanos da Presidência da República-Unicef
Índice de Homicídios na Adolescência - IHA Análise preliminar dos homicídios em 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes
2
RESUMO EXECUTIVO
O que é e para que serve o IHA
O IHA, Índice de Homicídios na Adolescência, serve para estimar o risco de
mortalidade por homicídio entre os adolescentes que residem num território. Ele foi
criado com o objetivo de exemplificar o impacto da violência letal neste grupo social de
uma forma simples, sintética e que ajudasse na mobilização das pessoas para a
gravidade do problema. Paralelamente, o índice pretende também contribuir para o
monitoramento do fenômeno no tempo e no espaço e para as avaliações de políticas
públicas nesta área, tanto locais quanto estaduais e federais. Nesta apresentação, o IHA
foi calculado para todos os municípios de mais de 100.000 habitantes no Brasil em
2006. O cálculo para municípios muito pequenos fica prejudicado pelo fato de que os
resultados seriam muito instáveis e pouco confiáveis e mudariam bruscamente de ano a
ano sem que isso fosse necessariamente um reflexo de mudanças na incidência real.
O seu cálculo segue a lógica das tábuas de mortalidade e aplica taxas específicas
de homicídio por idade a uma coorte de 1.000 adolescentes na idade inicial: 12 anos. A
soma das mortes estimadas, ano a ano, até a idade final, se traduz no número esperado
de vidas perdidas por homicídio entre os 12 e 18 anos, para cada grupo de 1.000
adolescentes. Dito de outra forma, de cada 1.000 adolescentes que cumprem 12 anos,
quantos serão vítimas de homicídio antes de completar 19 anos. O índice pode ser
aplicado a diferentes faixas etárias seguindo o mesmo princípio. A sua interpretação
pode ser feita tanto de forma transversal quanto longitudinal. Em outras palavras, o IHA
revela a incidência da violência letal contra adolescentes no ano considerado, mas
também estima o número de homicídios que cabe esperar ao longo dos próximos sete
anos (entre os 12 e os 18 anos) se as condições não mudarem. Ambas estimativas são
feitas sempre para uma coorte de 1.000 adolescentes (na idade inicial), para preservar a
comparabilidade, no tempo e no espaço, entre municípios de tamanho diferente.
As fontes para o cálculo do índice são o Sistema de Informações de Mortalidade
(SIM) do Ministério da Saúde e os dados de população do IBGE. Em função de certos
problemas existentes nos registros de mortalidade, são aplicadas metodologias que
estimam a proporção de mortes por causa externa de intenção desconhecida que
poderiam corresponder a homicídios. Da mesma forma, são utilizados fatores de
correição para óbitos sem informação sobre idade da vítima ou sobre município de
3
residência, de forma a evitar uma subestimação nos municípios em que a qualidade da
informação é menor.
No futuro, pretende-se descentralizar o cálculo do índice, para favorecer sua
utilização por parte dos gestores locais de forma autônoma.
Resultados
O valor médio do IHA para os 267 municípios considerados é de 2,03
adolescentes mortos por homicídio antes de completar os 19 anos, para cada grupo de
1.000 adolescentes de 12 anos. A cifra é bastante elevada, considerando que uma
sociedade não violenta deveria apresentar valores próximos de 0.
No entanto, a violência letal contra adolescentes não se distribui de forma
homogênea no território, e há alguns municípios com valores extremamente elevados. O
IHA para os 20 municípios de maior incidência é apresentado na tabela seguinte. Entre
eles, destacamos o caso de Foz do Iguaçu (Paraná), liderando o ranking, e algumas
outras cidades de meio porte como Governador Valadares e Cariacica. Entre as capitais,
Maceió e Recife aparecem nos primeiros lugares.
Tabela 1. Municípios ordenados de acordo com IHA
Município Estado
IHA
(2006)
Número Total Esperado de
Mortes por Homicídio
entre os 12 e os 18 anos
(num período de 7 anos)
Foz do Iguaçu PR 9,7 446
Governador Valadares MG 8,5 327
Cariacica ES 7,3 393
Olinda PE 6,5 353
Linhares ES 6,2 118
Serra ES 6,1 375
Duque de Caxias RJ 6,1 683
Jaboatão dos Guararapes PE 6,0 578
Maceió AL 6,0 826
Recife PE 6,0 1263
Itaboraí RJ 6,0 175
Vila Velha ES 5,6 315
Contagem MG 5,5 460
Pinhais PR 5,5 93
Luziânia GO 5,4 149
Cabo Frio RJ 5,4 121
Ibirité MG 5,2 133
Marabá PA 5,2 185
Betim MG 5,0 304
Ribeirão das Neves MG 5,0 241
4
No conjunto dos 267 municípios de mais de 100.000 habitantes, a estimativa do
número total estimado de vidas de adolescentes de 12 a 18 anos que serão perdidas por
causa dos homicídios num período de 7 anos a partir de 2006 é de 33.504. Isto é, se as
circunstâncias que prevaleciam em 2006 não mudarem nesses municípios, espera-se que
mais de 33.000 adolescentes sejam assassinados entre 2006 e 2012. Esta cifra por si só
deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenômeno no Brasil.
Gráfico 1. Maiores Índices de Homicídio na Adolescência: Capitais - 2006
Já o valor médio do IHA para as 10 primeiras capitais que aparecem no ranking
é bem mais elevado que o valor médio para todos os municípios com mais de 100.000
habitantes: 4,16.
Em primeiro lugar aparece Maceió, com IHA de 6,03, e em décimo Salvador
com 2,42. Estima-se que o número total de vidas de adolescentes entre 12 e 18 anos que
serão perdidas por homicídio num período de 7 anos seja de 9.492, considerando apenas
essas 10 capitais.
Análises complementares mostraram que, embora a violência letal contra
adolescentes seja grave, o impacto dos homicídios continua subindo até atingir o seu
pico na faixa de 20 a 24 anos. Entretanto, as políticas públicas devem contemplar idades
anteriores, pois as dinâmicas que levaram à perda de vidas dos adolescentes
provavelmente se iniciaram em faixas etárias anteriores, como a adolescência.
Outra conclusão importante é que os municípios em que existe um alto grau de
violência letal nas faixas de 12 a 18 tendem a ser também aqueles com alta incidência
nas faixas de 20 a 24 e de 25 a 29.
0,0 00
1,0 00
2,0 00
3,0 00
4,0 00
5,0 00
6,0 00
7,0 00
Mace ió R ecife Rio de Jan eiro Vitór ia Por to Velho Be lo Ho rizo nte Cu iabá Cur itiba Jo ão Pesso a Sa lvad or
Capitais
IHA
5
O risco relativo pode ser definido como uma razão entre a probabilidade de ser
vítima de homicídio de dois grupos diferentes, definidos de acordo com uma variável.
Assim, o risco relativo por sexo é calculado pelo quociente das taxas dos homens e das
mulheres. Dessa forma, o risco relativo permite avaliar a força da associação entre um
fator específico e o risco de sofrer violência letal.
Todos os riscos relativos contemplados aqui estão referidos a pessoas nas idades
consideradas, isto é, entre 12 e 18 anos. Em geral, colocamos o grupo de maior risco
relativo no numerador, de forma que o valor final seja superior a 1. A interpretação do
valor do risco relativo pode ser feita assim: quantas vezes é maior o risco de homicídio
para o primeiro grupo (numerador) em comparação com o segundo (denominador).
O estudo analisou o impacto relativo de diferentes dimensões, como gênero, raça
e idade, sobre o risco de morte por homicídio para os adolescentes. Um risco relativo de
1 significa que ambos os grupos (no numerador e no denominador) apresentam
indicadores parecidos, enquanto que um valor superior a 1 indica um risco maior para o
primeiro grupo em comparação ao segundo. A probabilidade de ser vítima de homicídio
é quase doze vezes superior para o sexo masculino, em comparação com o feminino, e
mais do dobro para os negros em comparação com os brancos. O risco de homicídio
cresce até a faixa de 19 a 24 anos, e vai declinando posteriormente com a idade. A
maior parte dos homicídios são cometidos com arma de fogo, o que frisa a importância
do controle de armamento dentro das políticas de redução da violência letal. Esses
resultados dos riscos relativos estão resumidos no seguinte gráfico.
6
Gráfico 2. Riscos Relativos de acordo com dimensão
11,91
2,60
3,29
0,03
1,00
2,36 2,12
1,30 0,84 0,62 0,51
0,00
1,00
2,00
3,00
4,00
5,00
6,00
7,00
8,00
9,00
10,00
11,00
12,00
13,00
H
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1
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40-4
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Fa
ix
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0 e
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Fa
ix
a 1
2-18
Descrição dos Riscos
Valor dos Riscos
7
Sumário
1. Introdução................................................................................................................. 8
2. Indicadores de vitimização e criação de um sistema de monitoramento da
violência letal contra adolescentes .............................................................................. 8
2.1. Índice de homicídios na adolescência.................................................................... 9
2.2. Definição do índice de homicídios na adolescência ........................................... 10
2.5. Criação do banco de dados com os homicídios de 2006 ..................................... 14
2.6. Fatores de Correção ............................................................................................. 15
2.7. Estimativa da população em 2006 ....................................................................... 16
2.8. Cálculo do Índice de Homicídio na Adolescência............................................... 16
3. Índice de Homicídios na Adolescência nos municípios brasileiros........................ 18
3.2. Análise do IHA em conjunto com outros indicadores ......................................... 38
4. Análise dos Riscos Relativos ....................................
Erro! Indicador não definido.
4
.1. Risco Relativo por Sexo ........................................
Erro! Indicador não definido.
4
.2. Risco Relativo por Cor ou Raça ............................
Erro! Indicador não definido.
4
.3. Risco Relativo por Faixa Etária .............................
Erro! Indicador não definido.
4
.4. Risco Relativo por meio utilizado .........................
Erro! Indicador não definido.
Bibliografia ...................................................................
Erro! Indicador não definido.
8
1. Introdução
O Programa de Redução da Violência Letal (PRVL) visa contribuir para a
redução das taxas de mortalidade por homicídios de adolescentes dos grandes centros
urbanos brasileiros. A iniciativa reflete a preocupação do Observatório de Favelas, do
Laboratório de Análise da Violência, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e do
Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF, com o aumento das mortes
violentas de adolescentes no Brasil nos últimos 30 anos, fenômeno que recentemente se
tornou prioritário na agenda pública.
O programa atua em três eixos complementares: I - a articulação política, que
prevê ações de
advocacy
nacional, sensibilização e mobilização de diferentes atores
sociais; II - a produção de indicadores que possibilitem o monitoramento sistemático e continuado da vitimização por homicídio contra adolescentes; III - o levantamento, a análise e a difusão de metodologias que contribuam para a prevenção da violência e, sobretudo, para a redução das taxas de letalidade de adolescentes no Brasil. Este relatório trata especificamente do segundo eixo, apresentando uma proposta de indicadores de mortalidade na adolescência, descrevendo sua metodologia e apresentando os resultados para os maiores municípios brasileiros.
2. Monitoramento da vitimização letal contra adolescentes.
É consensual entre aqueles que realizam estudos empíricos sobre violência e
vitimização letal o fato de que estes fenômenos não se distribuem aleatoriamente na
população nem no território. Deste modo, existem grupos para os quais os riscos de
morrer vítima de um homicídio são maiores, e existem áreas dentro de um estado ou de
uma cidade mais perigosas do que outras (Cano e Ribeiro, 2007).
No que tange à variação do risco por idade, diversos estudos apontaram
adolescentes, jovens e adultos jovens, entre 15 e 34 anos, como maiores vítimas da
mortalidade por homicídio (Cano, 1998; Cano e Santos, 2001; Cano e Ribeiro, 2007).
Se por um lado, os riscos são mais elevados na faixa que vai de 15 a 34 anos, por
outro lado, as trajetórias e os estilos de vida que conduzem ao incremento desse risco
começam mais cedo. A pesquisa sobre a trajetória social de crianças, adolescentes e
jovens inseridos no tráfico de drogas do Rio de Janeiro, realizada pelo Observatório de
9
Favelas, indicou que muitos dos jovens moradores de favelas e periferias deixam a
escola entre 11 e 14 anos de idade, faixa próxima à da entrada no tráfico ou do
envolvimento em outras redes sociais que concorrem para o aumento de sua
vulnerabilidade.
Nesse contexto, a implementação de um sistema de monitoramento dos
homicídios perpetrados contra adolescentes e jovens é estratégica no âmbito do
Programa de Redução da Violência Letal. Tal sistema permitirá avaliar de modo
sistemático e continuado a evolução dos homicídios cometidos contra estes grupos,
possibilitando a comparação entre municípios e unidades territoriais menores.
Além de sua importância como ferramenta de diagnóstico, necessário para o
planejamento e a execução de ações e políticas de prevenção da violência nestes grupos
particularmente vulneráveis, o sistema funcionará como instrumento de mobilização
política e social local. Ou seja, disponibilizará ao gestor e às organizações locais
informações mais objetivas que os auxiliem nas medidas de redução dos números de
vida precocemente perdidas de adolescentes em seus municípios.
Um passo anterior à criação do supracitado sistema de monitoramento
corresponde à escolha de um ou mais indicadores que reflitam o recorte da realidade
social que se deseja conhecer e, posteriormente, modificar. Neste relatório, será
apresentado um índice para mensurar e representar o fenômeno da vitimização por
homicídio contra adolescentes, além de outros indicadores que comparam o risco de
vitimização de diversos grupos sociais.
2.1. Índice de homicídios na adolescência.
A grande maioria dos estudos que trabalham empiricamente a questão da
violência e da criminalidade utiliza como estimador do risco de vitimização por
homicídio a taxa de homicídio por 100.000 habitantes. Estas taxas correspondem à
razão entre o número de ocorrências de homicídios em uma região e o total
populacional desta região. Estas taxas são interpretadas como o risco de um indivíduo
ser vítima de homicídio em um determinado lugar para cada 100.000 habitantes
observados.
10
A utilização de taxas torna as estimativas de incidência de vitimização
independentes do tamanho da população das áreas pesquisadas. Assim, elas permitem a
comparação entre unidades de análise com portes diferenciados.
Quando o objetivo de uma determinada análise consiste em estimar o risco de
vitimização de um grupo em particular, como crianças, jovens ou idosos, por exemplo,
as taxas por 100.000 habitantes são calculadas pela razão entre o número de mortos
dentro destas faixas e o contingente populacional nas mesmas faixas, o que corresponde
a uma taxa específica de mortalidade.
O indicador procurado para os objetivos desse projeto precisava se ajustar aos
objetivos de diagnóstico, monitoramento e, sobretudo de publicização da informação,
além de ser facilmente interpretável e ter apelo simbólico.
Nesse sentido, optou-se pela proposição de um índice que resultasse em um
valor mais próximo do cotidiano das pessoas, e capaz de expressar a dramaticidade do
problema abordado. Este valor corresponde ao número de vidas de adolescentes
perdidas por causa dos homicídios durante seu trânsito ao longo dos anos da
adolescência.
2.2. Definição do índice de homicídios na adolescência
O índice se baseia em um modelo de tábua de mortalidade. Ele expressa, para
uma coorte de 1.000 pessoas, o número de adolescentes que, tendo chegado a uma idade
inicial (12 anos) não alcançariam uma determinada idade final (19 anos), por causa dos
homicídios.
O processo de cômputo do índice consiste nas seguintes etapas:
1. Estimação do número de vítimas de homicídio residentes na área
durante o ano de interesse, por idade;
2. Estimação da população residente na área e ano de interesse, por
idade;
3. Cálculo das taxas de homicídio específicas para cada idade;
4. Aplicação iterativa das taxas específicas de homicídio a uma coorte
inicial de 1.000 adolescentes de 12 anos, de forma seqüencial até eles
atingirem os 18 anos;
5. Somatório, idade a idade, do número esperado de adolescentes
mortos por causa dos homicídios neste período (7 anos).
11
Dessa forma, é possível calcular o número esperado de vidas perdidas para
qualquer intervalo de idade. A escolha do intervalo etário que será trabalhado depende,
portanto, mais de decisões conceituais e institucionais do que técnicas.
2.3. Fontes de dados utilizadas
Para utilizar os indicadores citados anteriormente é necessário calcular taxas
específicas de mortalidade para cada idade. Por sua vez, o cálculo destas taxas necessita
de dois tipos de informação: o número de mortes por homicídio de residentes numa
determinada região, e a população dessa região, ambos os dados por idade exata. A
Tabela 1, apresentada abaixo, resume as fontes utilizadas em cada um dos casos.
Tabela 1: Fontes de Dados
–
DATASUS – Ministério da Saúde (www.datasus.gov.br
)
Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Registro Administrativo: Declarações de Óbito
Dados sobre mortalidade de residentes – 1979 a 2005
– IBGE (www.ibge.gov.br)
Estimativas populacionais oficiais para os municípios brasileiros1
Atualmente, o ano de 2006 é o último para o qual os dados sobre mortalidade
são disponibilizados pelo SIM, na página eletrônica do DATASUS, do Ministério da Saúde. Este será o ano-base para o cálculo dos indicadores. Cabe frisar que existem questões metodológicas importantes que precisam ser consideradas para a utilização desta fonte de informação e que serão expostas adiante.
1
Na verdade, como é explicado mais adiante, as estimativas populacionais foram obtidas diretamente
também do DATASUS, mas eles tinham sido estimados a partir dos dados do IBGE, razão pela qual optamos por registrar a font e original.
12
2.4. Estimativa do Número de Homicídios.
Existem no Brasil duas fontes principais de dados sobre homicídios: os boletins
ou registros de ocorrências policiais e as declarações de óbito reunidas pelo Ministério
da Saúde e disponibilizadas através do SIM. Estas informações não são necessariamente
coincidentes, embora apresentem entre si elevada correlação. Além disso, ambas as
fontes possuem determinados problemas de validade e confiabilidade (Cano, 1998).
Por diversos motivos, os dados da Saúde são considerados mais consistentes e
confiáveis (Cano, 1998; Cano e Santos, 2001, Cano e Ribeiro, 2007), sendo mais
utilizados.
No caso dos dados provenientes das secretarias municipais de saúde, o grande
problema para o trabalho com homicídios são as mortes por causas externas com
intencionalidade desconhecida, isto é, as mortes que não se sabe se foram causadas
acidentalmente (acidentes) ou intencionalmente (homicídios e suicídios). A proporção
desses casos varia bastante entre os estados e municípios brasileiros.
Diversos autores atentam para a necessidade de se aplicar algum tipo de
correção sobre os registros de homicídios declarados do sistema de saúde. O intuito
destas correções era reduzir uma possível subestimação dos óbitos, já que durante o
detalhamento da causa básica de mortalidade muitos homicídios seriam
equivocadamente alocados nessa categoria indefinida (Lait, 1992; Cruz, 1996; Lozano,
1997; Cruz e Souza, 1998; Cano e Santos, 2001). A estimativa de homicídios sugerida
por Lait (1992) considerava todas as mortes provocadas por instrumentos perfurocortantes
e por armas de fogo, mesmo com intenção não determinada, como homicídios.
Esta estimativa foi também utilizada por Cruz (1996) e Cruz e Souza (1998).
Já a proposta por Cano e Santos (2001) se baseou na estimativa proposta por
Lozano (1997) e nos resultados obtidos através de uma técnica de análise estatística
denominada correlação canônica. Ela considerou todas as mortes por armas de fogo ou
instrumentos perfuro-cortantes, tanto as acidentais quanto com intencionalidade
desconhecida, como intencionais, e depois distribuiu tais mortes entre homicídios e
suicídios respeitando a proporção entre estas duas causas existente entre os casos com
intenção conhecida. Na América Latina esta relação seria de, aproximadamente, 95% de
homicídios e de apenas 5% para os suicídios. Além disso, 10% das mortes com
intencionalidade desconhecida cometidas com outros meios eram consideradas
homicídios.
13
A metodologia utilizada para a estimação do número de homicídios que servirá
para o cômputo dos indicadores consiste em uma adaptação da proposta de Cano e
Santos (2001). Além dos homicídios declarados (categoria agressões – X85 a Y09 da
10
a.
Classificação Internacional de Doenças ou CID10) e das mortes em intervenções
legais (Y35 e Y36 da CID10), que naturalmente são consideradas homicídios, é aplicada uma estimativa apenas às mortes cuja intenção é indeterminada (Y10 a Y34 da CID10), deixando de lado os acidentes, inclusive os que envolvem armas de fogo e instrumentos perfuro-cortantes. Em outra pesquisa, que comparava dados da polícia e da saúde, Cano (2002) trouxe evidências de que os acidentes nestes casos não poderiam ser considerados homicídios. Em suma, as causas de mortalidade relacionadas acima são consideradas na estimativa conforme a seguinte formulação:
Tabela 2: Categorias da 10a Classificação Internacional de Doenças
utilizadas na estimativa do número de homicídios
Proporção Categoria da CID 10
100% Homicídios por arma de fogo
100% Homicídios por arma branca
100% Outros Homicídios
100% Intervenção legal por arma de fogo
100% Intervenção legal por outros meios
R%
2
Mortes de intencionalidade desconhecida por arma de fogo
R% Mortes de intencionalidade desconhecida por arma branca 10% Outras Mortes de intencionalidade desconhecida
2
100 ) ( %
x
Suicídios Homicídios Homicídios R
+
=
Este percentual foi cal culado de forma separada para cada estado.
14
2.5. Criação do banco de dados com os homicídios de 2006
A partir dos microdados retirados do Sistema de Informações sobre Mortalidade
(SIM/DATASUS) foram selecionados os casos correspondentes a homicídios, conforme
os princípios mencionados acima. Estes casos compuseram um banco nacional de
vítimas de homicídio.
Para este estudo, foram consideradas apenas as vítimas que residiam em algum
dos 267 municípios brasileiros com mais de 100.000 habitantes
3
em 2006. Este banco
final inclui, como já foi explicado, o registro de todos os homicídios declarados e mortes causadas em intervenções legais acontecidos contra residentes no município. Para as mortes com intencionalidade desconhecida, apenas uma parte dos casos é considerada homicídio, de modo que foi realizado um procedimento de seleção aleatória para escolher estes casos segundo a proporção definida pela proposta metodológica. Por exemplo, apenas 10% das mortes com intencionalidade desconhecida provocadas por outras causas (diferentes de armas de fogo e armas brancas) seriam consideradas homicídios segundo a metodologia proposta. Se um determinado município apresentava, no ano de 2006, 50 casos classificados nessa categoria de
causa
mortis
, 5 destes casos seriam sorteados para compor o banco de homicídios, junto com
os homicídios declarados e as intervenções legais. No caso das mortes com intencionalidade desconhecida provocadas por arma de fogo ou instrumentos perfuro-cortantes (armas brancas), elas foram consideradas todas como intencionais e o percentual de homicídios entre essas mortes intencionais foi igual ao percentual de homicídios sobre o total de homicídios e suicídios entre as mortes com causa conhecida. Essa estimativa era calculada de forma independente para cada estado e usada para todos os municípios desse estado. De novo, os casos correspondentes foram aleatoriamente selecionados em cada município. A partir desse banco que tem como unidade de análise a vítima foi criado um novo banco que possui como unidade de análise o município e que concentra todos os casos selecionados relativos a residentes nessa localidade.
3
A opção por municípios com mais de 100.000 habitantes visou reduzir o problema da instabilidade das
taxas de homicídio e da flutuação aleatória decorrente de pequenas populações municipais. Além disso, implica um recorte de natureza sociológica fundado no reconhecimento que estamos lidando com a violência urbana, própria de cidades de grande e médio porte.
15
2.6. Fatores de Correção
Para evitar subestimações decorrentes da falta de informações sobre o município
de residência da vítima ou sobre sua idade, calculam-se os Fatores de Correção
4
. Os
fatores de correção são multiplicativos e se aplicam sobre o valor final do indicador calculado. Cada município possui um fator de correção relativo à idade desconhecida, diferente para cada cidade, e outro fator relativo a município de residência desconhecido, que é comum a todos os municípios do mesmo estado. O suposto sobre o qual se assenta o cálculo destes fatores é o de que os óbitos sem informação sobre idade ou município de residência se distribuem da mesma forma do que aqueles em que se conhecem tais informações. Supõe-se então que a distribuição dos homicídios nos municípios desconhecidos seja a mesma distribuição dos homicídios entre os municípios conhecidos no estado. Do mesmo modo, em relação às idades, se supõe que os casos com idade desconhecida se distribuam de modo similar aos casos em que a declaração de óbito registra a idade da pessoa falecida. Os fatores de correção para idade desconhecida e município desconhecido possuem a seguinte formulação:
4
Vide tabela completa no Anexo.
.
.
. ..
.
.
=
conhecidos municípios em icídios estado no icídios
estado no icídios de Total
C F
DO DESCONHECI MUNICIPIO
_ _ _ hom _ _ hom
_ _ hom _ _ . .
_
.
.
. ..
.
=
Município no conhecidas idades com residentes de icídios
município no residentes de icídios Total
C F
DA DESCONHECI IDADE
_ _ _ _ _ _ _ hom
_ _ _ _ hom _ . .
_
16
Assim, os fatores de correção terão valor igual a 1 quando não exista nenhum
caso perdido por falta de informação sobre idade ou residência. O valor será superior a 1
quando haja registros que omitem essas informações, de forma a restaurar o valor
original que seria esperado se a informação fosse completa. Dessa forma, quanto maior
a proporção de casos perdidos, mais elevado será o valor desses fatores de correção.
2.7. Estimativa da população em 2006
O último dado censitário foi levantado no ano de 2000. Foram utilizadas neste
estudo estimativas populacionais do DATASUS realizadas a partir dos dados fornecidos
pelo próprio IBGE. Assim, o IBGE estima a população total por município para o ano
de 2006 e o DATASUS aplica a este total populacional municipal as proporções de sexo
e idade do mesmo município obtidas no Censo 2000. Para os municípios criados entre
2001 e 2005, o DATASUS optou por utilizar a distribuição existente no município
original, do qual os novos municípios foram emancipados.
2.8. Cálculo do Índice de Homicídio na Adolescência
O índice de vitimização por homicídio foi inicialmente calculado para
adolescentes (pessoas de 12 a 18 anos), tomando-se como base o ano de 2006 e como
unidade de análise o município. A escolha por essa primeira faixa etária considerou os
mandatos institucionais das diversas organizações que participam do programa.
O ano de 2006 corresponde ao dado mais atual disponibilizado pelo Ministério
da Saúde. O município se justifica por constituir a menor unidade de análise com dados
de mortalidade disponíveis para todo o Brasil. Além disso, o município corresponde ao
menor nível da divisão territorial brasileira que possui autonomia políticoadministrativa,
de modo que, políticas e ações municipais poderiam ser alavancadas a
partir do monitoramento do indicador municipal.
Como já foi indicado, para reduzir o problema da instabilidade das estimativas
das taxas, produzida por pequenas populações municipais, optou-se por calcular os
indicadores apenas para os municípios com mais de 100.000 habitantes no ano de 2006,
um total de 267 m