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Para Frei Betto, falta articulação do governo com os movimentos sociais

Por Bruno Bocchini, da Agência Brasil*

Frei Betto defendeu nesta quinta-feira (04/02) maior articulação entre os movimentos populares para abrir mais espaço no governo às pautas de cunho social. Segundo ele, desde 2003, os movimentos populares têm se “desmobilizado”, pressionando menos o governo a adotar uma agenda de reformas sociais profundas. 

“Nós não conseguimos criar uma articulação dos movimentos sociais brasileiros. As poucas tentativas ocorridas ainda não foram exitosas. Como a criação da Central dos Movimentos Populares, como a Assembleia Popular. Surgiram, mas todas muito frágeis. Não foi exitoso em estabelecer bandeiras ou pautas comuns de luta” disse em palestra a membros do projeto Meninos e Meninas de Rua, em São Bernardo do Campo (SP).

Frei Betto, conselheiro do presidente Lula no início de seu governo e atualmente assessor de movimentos sociais, disse ainda que parte da desmobilização dos movimentos populares se deu em razão de eles imaginarem que o governo Lula resolveria “na canetada” todos os problemas do país. “Ao eleger o governo Lula, o movimento teve inconscientemente a impressão de que estava criando uma grande vaca com uma teta para cada boca”, disse.

De acordo com Frei Betto, houve um distanciamento entre o governo federal e os movimentos sociais, o que acabou por afastar do poder a agenda pretendida pelos movimentos populares. “O governo Lula tinha duas pernas de governabilidade. O movimento social e o Congresso. Infelizmente, o governo Lula fez opção pelo Congresso. Os movimentos sociais não são importantes para a estratégia de governabilidade do governo Lula. Com muita dificuldade conseguem ter audiência com algum ministro. São escutados como favor. E não como parceiros”, ressaltou.

 

 


*publicado originalmente em Envolverde/Agência Brasil de 11/2/10.

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